quarta-feira, 9 de maio de 2012

Posto a seguir artigo de Julian Freeman que, no meu entender, define muito bem a complexidade e contradições do exercício do ministério pastoral.

Ser pastor é uma coisa estranha.
Proclamamos uma mensagem com o poder de Deus para transformar as pessoas, mas não podemos sequer transformar a nós mesmos. Chamamos os outros à perfeição, como o fez Jesus, mas nossas vidas são cheias de imperfeição. Devemos pastorear como o Pastor, embora sejamos simplesmente uma das ovelhas.
Buscamos fazer com que Cristo cresça (embora ele seja invisível aos olhos humanos) enquanto buscamos diminuir (embora permaneçamos estagnados semana após semana). Dizemos que números não importam, mas desejamos que muitos sejam salvos. Labutamos para que a igreja cresça, embora percebamos que cada alma aumenta a nossa responsabilidade diante de Deus.
Tentamos expressar o Infinito e Eterno em 45 minutos ou menos; obviamente falhamos, de forma que tentamos de novo na semana seguinte.
Gastamos nossas vidas estudando um livro que jamais compreenderemos completamente e lutamos para explicá-lo a um povo que não pode entender à parte da obra de uma terceira parte. Quanto mais estudamos, mais certos ficamos da sabedoria de Deus e da nossa tolice; e, todavia, ainda devemos pregar.
É-nos dito que não muitos deveriam ser mestres e que haverá um julgamento mais severo para aqueles que o são, e, todavia, não conseguimos resistir à compulsão de pregar. Chamamos as pessoas a fazer algo que elas não podem, com uma autoridade que não é nossa, e então no final das nossas vidas prestamos contas a Deus pelas almas que pastoreamos.
Somos chamados a nos afadigar na palavra de Deus e em oração; todavia, não há nada a que o nosso inimigo se oponha mais ativamente. Trabalhamos para edificar uma comunidade onde pessoas sejam unidas, enquanto ocupamos um ofício cheio de tentações ao isolamento.
Pregamos um evangelho de alegria, mas os pregadores são pressionados com tentações à depressão.
Devemos pregar com paixão, mas pastorear com paciência. Devemos ser gentis com as ovelhas e ferozes com os lobos. E devemos de alguma forma discernir a diferença.
Devemos instar para que as pessoas se arrependam e creiam, embora sabendo o tempo todo que é Deus quem deve salvar. Rogamos a Deus em oração até que nossa vontade seja alinhada à dele. Devemos buscar fervorosamente a presença do Espírito, sabendo muito bem que ele sopra onde quer.
Devemos lutar com toda a nossa força, mas nunca, jamais confiar nela. Somos pagos para fazer satisfatoriamente um trabalho que nunca termina: Quando estudei o suficiente? Quando orei o suficiente? Quando aconselhei ou fiz mentoria o suficiente? Nós, que nunca terminamos, somos chamados a levar outros a descansarem na obra consumada/terminada de Jesus.
Por fim, trabalhamos e anelamos por resultados que jamais podemos alcançar. Ser um pastor é uma jornada permanente a um lugar de absoluta dependência.
Esse é um trabalho estranho: ser um pastor. Mas eu não o trocaria por nada neste mundo!

 
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – abril/2012
Fonte: http://julianfreeman.ca/ via monergismo.com


 



sábado, 27 de agosto de 2011

Cai número de católicos no Brasil. E daí?

O Brasil ainda é o país com o maior número de católicos do mundo. Mas esse número continua em queda. O fato preocupante é que o número de pessoas que se declaram ateus ou sem religião está aumentando, enquanto os evangélicos não apresentam mais o mesmo índice de crescimento das pesquisas anteriores.

De acordo com estudo "Mapa das Religiões no Brasil", divulgado nesta terça-feira (23) pela Fundação Getúlio Vargas, o número de brasileiros que se declaram católicos caiu de 73,79% em 2003 para 68,43% em 2009, o menor índice desde 1872, quando 99,72% se declaravam seguidores desta doutrina. À bem da verdade, essa queda vem se acentuando nos últimos 30 anos. De 1980 para cá, a queda foi de 20,53%, saindo de 88,96 para 68,43%.

A Fundação Getúlio Vargas entrevistou cerca de 200 mil pessoas e verificou que entre os jovens na faixa etária dos 15 aos 19 anos a rejeição ao catolicismo é maior. Enquanto 75,2% se declararam católicos em 2003, na pesquisa realizada em 2009 o índice apresentou queda de 7,7 pontos percentuais, ficando em 67,5%. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, a redução da porcentagem de católicos no Brasil coincidiu com o aumento da porcentagem de brasileiros que se declaram ateus, que subiu de 5,13% para 6,72% entre 2003 a 2009.

Os grupos evangélicos apresentaram crescimento nesse período, saltando de 17,88% em 2003 para 20,23% em 2009. Embora apresentando crescimento, o índice ficou abaixo dos apresentados em pesquisas anteriores. Até o ano 2000, os evangélicos eram os principais responsáveis pela fuga de fiéis das fileiras católicas. Agora é bastante visível que muitos estão abandonando não somente o catolicismo, mas o cristianismo ou outra forma de religião institucionalizada.

Os motivos para essa debandada cada vez maior das hostes católicas, em minha opinião, são os mais variados. Vão desde posições defendidas pela igreja – consideradas retrógradas por alguns setores da sociedade – em temas como uso de contraceptivos e homossexualismo, passando pelo divórcio e novo casamento, até as posturas indefensáveis perante a sociedade de apoio ou omissão a clérigos envolvidos em pedofilia, entre outras mazelas.

Nós evangélicos devemos acender a luz amarela, que indica atenção. Por que o número de pessoas que trocam o catolicismo pelas fileiras evangélicas vem diminuindo, enquanto o número dos que se declaram sem religião aumenta? Não será o caso de repensarmos nossas práticas cristãs e nossos métodos de evangelização?

No exercício de minhas atividades eclesiásticas, deparo-me cada vez mais, com pessoas que se afastaram ou estão se afastando do catolicismo, mas que não pretendem freqüentar uma comunidade evangélica. Os motivos apresentados variam de pessoa para pessoa, mas é possível identificar alguns:

·       O mercantilismo e a venda de bênçãos – prática que se alastrou rapidamente em nossos arraiais, principalmente com o advento das igrejas ditas neopentecostais.

·       O enriquecimento meteórico – e difícil de explicar pela simples matemática financeira – daqueles que estão na liderança das principais organizações eclesiásticas em evidência na atualidade.

·       Perda de credibilidade – motivada pelos escândalos promovidos por pseudocristãos envolvidos com políticos corruptos, pedofilia, homossexualismo, dentre outros.

·       Difusão do pensamento ateísta e agnóstico através da mídia, em especial a internet, com ataques aos cristãos e suas crenças, vistas como irracionais e inverossímeis.

·       A idéia de que o crescimento evangélico não impacta a sociedade, provocando mudanças estruturais, éticas e comportamentais na sociedade.

Esses são apenas alguns dos motivos possíveis. Certamente existem outros. Penso que está mais do que na hora de repensarmos nossa prática cristã, sob pena de vermos o Brasil deixar de ser o maior país católico do mundo para se tornar um país de maioria atéia, tendo que conviver com suas funestas consequências.

Enquanto construímos magníficas catedrais, dotadas de todo o conforto, para que o homem se sinta cada vez melhor, nossos crentes tornam-se mais individualistas, despreocupados e descompromissados. Nunca no mundo teve-se tanto acesso à informação e tantos com tão pouca formação. Inclusive nos arraiais evangélicos, onde o conhecimento da Bíblia e suas doutrinas deixaram de ser matéria de suma importância para uma vida cristã sadia. Valem mais as emoções e as experiências pessoais do que as verdades bíblicas e a fé.

Nossas reuniões estão cada vez mais repletas de rituais e símbolos, mas destituídos do poder e da unção salvadora que emana da cruz. Nossos sermões, cheios de chavões e destituídos de vida. Nossos líderes – muitos autoproclamados – preocupados em alcançar fama e sucesso pessoal, se digladiam via mídia, não se importando com o estrago que tais atitudes causam à igreja.

Muita coisa pode ser dita acerca do tema. Não vou, todavia, estender-me mais. Fica apenas o alerta: voltemos urgentemente à pratica das verdades bíblicas, sem enfeites ou complicações, pois as coisas de Deus são simples.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Lutei com Deus - por Joilton Rocha



          Após muitos anos longe de casa estou decidido a voltar. Uma preocupação me atormenta a mente: Como serei recebido? Como serei tratado após tantos anos distante? Será que meu irmão já me perdoou? E meu velho pai, como se sente, depois de tanto tempo sem nos falarmos?

Estou certo de que meu irmão ainda está profundamente irado comigo. Também pudera, o que eu fiz foi imperdoável. Agi como um mau-caráter, enganando as pessoas que mais me amavam na face da terra. E não adianta repetir para mim mesmo que eu era muito moço, inexperiente e que minha mãe – mais vivida do que eu – me induziu ao erro; foi ela quem planejou tudo, quem me convenceu a fingir ser meu irmão, enganando meu velho pai, quase totalmente cego e a roubar a bênção prometida a meu irmão por ser primogênito.

Quando meu pai e meu irmão tomaram conhecimento do que eu fiz, resolvi fugir. Fui parar na casa de um tio, por sinal, um espertalhão. Não demorou muito e os hormônios falaram mais alto e me vi perdidamente apaixonado por uma de minhas primas. Também pudera! Ela era linda. Maravilhosa mesmo. Trabalhei sete anos para poder desposá-la. Não tenha pena de mim, não. Eu tinha um objetivo, um alvo a alcançar: Raquel era a mulher dos meus sonhos. Talvez por isso, o tempo tenha passado tão rapidamente.

Durante a festa de nosso casamento, achei-a muito calada. Disse a mim mesmo que provavelmente estava acanhada com a situação. Após as comemorações, levei-a ansioso para minha tenda. Desejava ardentemente demonstrar-lhe todo o meu amor, sentimento sublimado durante tanto tempo. Com volúpia incontida tirei-lhe o véu. Imagine a surpresa que tive, ao perceber que a face debaixo do véu não era a de minha amada e, sim, de sua irmã. Que confusão! Casei-me com minha cunhada.

Indignado, procurei meu sogro assim que o dia nasceu. Em resposta às minhas queixas, consentiu que me casasse com minha amada, após outros sete anos de trabalho não remunerado. Essa foi a primeira das muitas vezes que ele me enganou. Quando percebia que eu estava a prosperar, ele mudava a forma de me pagar por meus serviços. Isso ocorreu várias vezes. E eu dei-lhe o troco, não podia deixar por menos. Era assim que eu pensava.

Agora estou aqui. Extenuado. A noite foi longa e difícil. Meu quadril dói muito, mas uma paz como nunca senti antes, invade-me a alma. Fui visitado por um anjo. Quando me apercebi de quem realmente se tratava, não tive duvidas: agarrei-me a suas vestes e não o larguei mais. Houve momentos durante nossa luta em que pensei que não iria resistir. Pensei em desistir. Mas, algo dentro de mim me dizia que valia a pena suportar um pouco mais, então, buscava forças no mais profundo do meu ser e continuava agarrado àquele que, cria eu, mudaria a minha vida. Quando o dia despontava, começou a pedir que o largasse. Percebi nesse episódio, uma oportunidade de ter minha vida transformada, por isso, não o larguei. Não podia largá-lo. Não sem antes receber minha recompensa. Precisava de sua bênção de qualquer maneira.

Ao ver que não o deixaria partir facilmente, aquele ser celestial tocou-me nos quadris, marcando-me, creio que para sempre. Também mudou o meu nome. A sensação que tenho é que algo em mim também mudou. Não o meu exterior. Por fora, sou o mesmo de sempre. Mas, por dentro, sinto que algo mudou. Desejo reencontrar meu irmão para pedir-lhe perdão, mesmo sabendo que dificilmente serei perdoado. Tomara que se alegre com os presentes que lhe enviei e que estes aplaquem o ódio que sente por mim.

Tenho certeza que tive um encontro com Deus e Ele mudou minha vida. Um mundo novo se descortina para mim. Neste novo mundo não precisarei mais trair, mentir ou enganar. Não foi apenas o meu nome que foi mudado: Deus mudou o meu caráter. Sou um novo homem, com novos ideais. Mas, o mais importante, um novo Deus. Não que Ele já não existisse. Ele estava lá o tempo todo. Mas eu não o via; sequer O sentia. Até esta noite, Ele era o Deus de meus pais e avós. Agora é também, o meu Deus.

Ah, meu nome é Israel. Até pouco tempo atrás era Jacó, nome que descrevia muito bem quem eu era. Deixe-me ir, pois meu irmão se aproxima e devo apresentar-me ante ele. Que Deus nos ajude!
 Uma última coisa: Estou certo de que o que aconteceu comigo, também pode acontecer com você. Oro para que Deus te conduza, como conduziu a mim, ao vau do Jaboque, o teu Jaboque e, da mesma forma mude o seu nome e a sua vida.