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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Lutei com Deus - por Joilton Rocha



          Após muitos anos longe de casa estou decidido a voltar. Uma preocupação me atormenta a mente: Como serei recebido? Como serei tratado após tantos anos distante? Será que meu irmão já me perdoou? E meu velho pai, como se sente, depois de tanto tempo sem nos falarmos?

Estou certo de que meu irmão ainda está profundamente irado comigo. Também pudera, o que eu fiz foi imperdoável. Agi como um mau-caráter, enganando as pessoas que mais me amavam na face da terra. E não adianta repetir para mim mesmo que eu era muito moço, inexperiente e que minha mãe – mais vivida do que eu – me induziu ao erro; foi ela quem planejou tudo, quem me convenceu a fingir ser meu irmão, enganando meu velho pai, quase totalmente cego e a roubar a bênção prometida a meu irmão por ser primogênito.

Quando meu pai e meu irmão tomaram conhecimento do que eu fiz, resolvi fugir. Fui parar na casa de um tio, por sinal, um espertalhão. Não demorou muito e os hormônios falaram mais alto e me vi perdidamente apaixonado por uma de minhas primas. Também pudera! Ela era linda. Maravilhosa mesmo. Trabalhei sete anos para poder desposá-la. Não tenha pena de mim, não. Eu tinha um objetivo, um alvo a alcançar: Raquel era a mulher dos meus sonhos. Talvez por isso, o tempo tenha passado tão rapidamente.

Durante a festa de nosso casamento, achei-a muito calada. Disse a mim mesmo que provavelmente estava acanhada com a situação. Após as comemorações, levei-a ansioso para minha tenda. Desejava ardentemente demonstrar-lhe todo o meu amor, sentimento sublimado durante tanto tempo. Com volúpia incontida tirei-lhe o véu. Imagine a surpresa que tive, ao perceber que a face debaixo do véu não era a de minha amada e, sim, de sua irmã. Que confusão! Casei-me com minha cunhada.

Indignado, procurei meu sogro assim que o dia nasceu. Em resposta às minhas queixas, consentiu que me casasse com minha amada, após outros sete anos de trabalho não remunerado. Essa foi a primeira das muitas vezes que ele me enganou. Quando percebia que eu estava a prosperar, ele mudava a forma de me pagar por meus serviços. Isso ocorreu várias vezes. E eu dei-lhe o troco, não podia deixar por menos. Era assim que eu pensava.

Agora estou aqui. Extenuado. A noite foi longa e difícil. Meu quadril dói muito, mas uma paz como nunca senti antes, invade-me a alma. Fui visitado por um anjo. Quando me apercebi de quem realmente se tratava, não tive duvidas: agarrei-me a suas vestes e não o larguei mais. Houve momentos durante nossa luta em que pensei que não iria resistir. Pensei em desistir. Mas, algo dentro de mim me dizia que valia a pena suportar um pouco mais, então, buscava forças no mais profundo do meu ser e continuava agarrado àquele que, cria eu, mudaria a minha vida. Quando o dia despontava, começou a pedir que o largasse. Percebi nesse episódio, uma oportunidade de ter minha vida transformada, por isso, não o larguei. Não podia largá-lo. Não sem antes receber minha recompensa. Precisava de sua bênção de qualquer maneira.

Ao ver que não o deixaria partir facilmente, aquele ser celestial tocou-me nos quadris, marcando-me, creio que para sempre. Também mudou o meu nome. A sensação que tenho é que algo em mim também mudou. Não o meu exterior. Por fora, sou o mesmo de sempre. Mas, por dentro, sinto que algo mudou. Desejo reencontrar meu irmão para pedir-lhe perdão, mesmo sabendo que dificilmente serei perdoado. Tomara que se alegre com os presentes que lhe enviei e que estes aplaquem o ódio que sente por mim.

Tenho certeza que tive um encontro com Deus e Ele mudou minha vida. Um mundo novo se descortina para mim. Neste novo mundo não precisarei mais trair, mentir ou enganar. Não foi apenas o meu nome que foi mudado: Deus mudou o meu caráter. Sou um novo homem, com novos ideais. Mas, o mais importante, um novo Deus. Não que Ele já não existisse. Ele estava lá o tempo todo. Mas eu não o via; sequer O sentia. Até esta noite, Ele era o Deus de meus pais e avós. Agora é também, o meu Deus.

Ah, meu nome é Israel. Até pouco tempo atrás era Jacó, nome que descrevia muito bem quem eu era. Deixe-me ir, pois meu irmão se aproxima e devo apresentar-me ante ele. Que Deus nos ajude!
 Uma última coisa: Estou certo de que o que aconteceu comigo, também pode acontecer com você. Oro para que Deus te conduza, como conduziu a mim, ao vau do Jaboque, o teu Jaboque e, da mesma forma mude o seu nome e a sua vida.

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